Chorar no telefone, odiar não ser tudo aquilo que tu espera de mim. Eu quero crescer, mas parece que a ignorância e a infantilidade são por demais tentadoras.
Ainda sou uma criança,
perdão.

Chorar no telefone, odiar não ser tudo aquilo que tu espera de mim. Eu quero crescer, mas parece que a ignorância e a infantilidade são por demais tentadoras.
Ainda sou uma criança,
perdão.

Não sei, às vezes eu quero que isso tudo acabe. Quero que passe correndo, quero que chegue no fim, quero que os anos corram e quero engolir todo o conhecimento que há no mundo. Me pergunto se serei sempre boba e infantil como sou hoje, me pergunto se um dia hei de crescer.
É tão estranho, tenho ainda aqueles amores infantis pelos meus professores, quero que eles me enxerguem, que reparem, que me considerem como gente, não como mais uma criança em sua carreira. Ainda tenho amores infantis por pessoas mais velhas, ainda tenho aquela vontade de chamar atenção. Quero que prestem atenção em mim e só em mim, e me sinto horrível por isso.
Aquela noite ela me falou tantas coisas com aquela voz arrastada de bêbada, mas ao mesmo tempo tão coerente e tão verdadeira que eu acabei ficando surpresa, acabou tendo um impacto tão grande em mim que praticamente foi a alavanca que me impulsionou para que eu mudasse (ou tentasse mudar). E eu penso que eu preciso mudar.
Parecia tudo sonho, tudo tão distante. ‘Vou mudar daqui a pouquinho, só mais uns minutinhos.’
Acho que ainda não caiu a ficha. Que acabou, que vai mudar, eu querendo ou não; que eu vou perder quase completamente o contato com as pessoas que faziam parte de todos os meus dias, que eu considerava as mais especiais no meu mundinho de criança-adolescente. E que não vai doer, porque o tempo vai passar e novas pessoas vão surgir e eu vou esquecer as que ficaram pra trás; não vão passar de um sentimento de nostalgia que terei quando olhar pra livros velhos ou fotos guardadas numa caixa de papelão.
E, no presente, isso dói. Oh, como isso dói.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
E agora deveria vir ‘à parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo’. Mas não vem. Não tenho em mim todos os sonhos do mundo, não tenho sonhos em mim. Meu corpo é encouraçado e minha alma, congelada. Não sonho, não desejo, não consigo anseiar; só consigo sofrer.
Isso foi escrito hoje ao meio-dia.
Obrigada por me acalmar e alegrar meu dia, eu te amo.

Eu me lembro vagamente das otites crônicas que eu tive dos 4 aos 8 anos.
Estar revivendo isso não é uma experiência boa ou mágica. Tá doendo tanto que tô quase arrancando minha garganta e meus ouvidos fora.
(your freezing speech bubbles
seem to hold your words aloft)

Hoje eu acordei feito um bicho.
Mas feia mesmo, olheiras de quem não tem dormido o suficiente, cara vermelha e amassada, olhos pequenininhos, ramela, cabelos todos espetados pra cima.
Feia por dentro e feia por fora. Sem vontade de consertar os estragos. Com vontade de colocar uma calça vermelha, um blusão azul-marinho, meus fiéis escudeiros (all-star), pegar a droga da minha mochila sem arrumar, sem dinheiro, e sair por aí. Ir pra escola, não ir pra escola: acaba dando no mesmo, eu fico dormindo, fico lendo e o que eu menos faço é prestar atenção.
E no fim eu nem posso; tô aqui tomando meu café-com-muito-adoçante, comendo minha barra de cereal de coco, tomando meu anti-inflamatório e olhando com cara de tacho pra minha estatueta de coruja. Como eu faço todos os dias. Daqui a 30 segundos eu vou levantar, pegar minha calça, achar uma roupa bonita pra usar, pentear o cabelo, botar o óculos – ficar aceitável por fora.
Mesmo estando feia.
Mesmo estando desanimada.
Mesmo estando triste.

Eu me inscrevi para o vestibular.
Dizer isso implica em aliviar medos e aumentar inseguranças dentro de mim. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de e faz tanta coisa, que, no final, acaba não conseguindo abandonar nada. Sei que não preciso abandonar o que me é caro, mas me sinto mal por não elevar essas coisas artísticas que gosto de fazer a um patamar de profissão. Se é que algum dia vou ter profissão.
E, no fim, acabei escolhendo algo que eu sequer cogitava. Eu gosto de ler. Devorei mais de 30 livros em 2009 e não considero o suficiente. Não sei se quero ser professora ou tradutora. Quero conhecer tantos idiomas quanto eu puder.
Quero ler e conhecer todos os livros do mundo.
(e ser idiota, porque isso não é possível)

Você acha que ninguém sofre mais do que você.
Talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer.

Her behaviour drives me insane. Everything about her just makes me mad. The way she pulls her hair back, her flashy make-up, her bizarre-coloured nails, the way she keeps getting fatter and still manages to be prettier than me. I somewhat envy her.
I’m jealous. I’m jealous of the way she relates to people, I’m jealous of her looks, of her coolness, of her young mentality, that one of someone’s who’s not been tainted and who’s growing up at her own pace. I’m so jealous I think I might tear myself apart from the inside.
She bothers me. The way she looks at me gets under my skin and before I realise it I’m snarling at her, her blue eyes seeming like that ones of a snake to me. Her entire being seems different to me now, she is like someone I’d never have an acquaintance with. Ever.
And yet, I did. I did and I still love the person she was to me before I went away, and a part of my heart – no, a part of my soul – longs, yearns for that kind of closeness, longs for that kind of intimacy (even if I never actually told her anything relevant about my thoughts) I had with her.
Even though, I cannot bear looking at her. I don’t know if she used to pose as a nice person while I was around, and I don’t think I’ll ever know, but I can’t bear looking at what she became to me. Can’t pity her, can’t talk to her, can’t like her.
But deep inside I love her.
(and there’s this part of me that doesn’t want to get close to her again, this fucking pride, this fucking real me. I’m tired, I’m fucking through with being so damn fussy and demanding. )

Can’t help but feel guilty. Her pain must be the same as I imagine mine would be.

Quero o cu de alguém pra enfiar uma tora.
E eu que pensava que chutar um bolo de merda era a pior coisa que podia me acontecer hoje.